2 João

Segunda carta do apóstolo João. Há uma semelhança notável entre os escritos dessa carta e o evangelho de João (indicando mesmo autor), mas alguns atribuem a autoria a outro João. É o menor livro da bíblia e há várias semelhanças também com o livro de 3 João, indicando proximidade entre as duas cartas.

Esse livro teve sua canonicidade discutida e a versão antiga do Peshitta (bíblia no idioma siríaco, provavelmente escrita entre o século II e III) não o inclui, embora haja citações de 2 João nos escritos e músicas de Efrém, o Sírio (compositor e teólogo do século IV). Essa discussão se originou por causa de sua brevidade e da possível dúvida de autenticidade levantada por Eusébio (bispo de Cesareia do século III). O Decretum Gelasianum (texto atribuído ao Papa Gelásio), afirmou que essa epístola era de outro autor e não de João, o apóstolo. Entretanto, Policarpo (bispo de Esmirna, considerado discípulo de João, do século II) e Irineu (bispo grego de Lugduno na Gália, atual Lyon, do século II) aceitaram-na como confiável e inspirada. Clemente de Alexandria (teólogo e apologista grego do século II), seu aluno Alexandre (bispo de Alexandria do século II e III) e Dionísio (patriarca de Alexandria do século III) citaram a segunda e terceira epístola como sendo genuínas e do apóstolo João. No Concílio de Cartago (século III), Cipriano (bispo da igreja africana) e Aurélio (bispo de Chullabi) citaram a segunda epístola sendo de autoria de João. O Concílio de Laodiceia (por volta de 363 dC), o Concílio de Hipona (393 dC) e o terceiro Concílio de Cartago (397 dC) também aprovaram essas cartas como legítimas de João e inspiradas. Há uma visão explicativa pelos pais da igreja primitiva, discutida nos concílios e descrita na Catholic Encyclopedia. Pela similaridade com os escritos de João, é impossível que sejam dois autores separados, ou o autor é o próprio João ou esteve em contato direto com ele.

O enfoque dessa carta, dirigida à senhora eleita (qualificativo à igreja cristã), é o amor e a verdade. As palavra verdade e amor são repetidas constantemente pelo apóstolo João, indicando um papel de importância fundamental para a igreja cristã. João cita o mandamento do amor para com o próximo e a obediência aos mandamentos de Deus. Ele também alerta a igreja destinatária sobre os enganadores que não acreditam que o Messias veio em carne, e pede pra tomar cuidado para não pecar e nem tomar parte nas más obras desses enganadores.

Autoria: Ancião ou Presbítero (apóstolo João)

Período: Alguma data entre 85-100 dC

Local: Éfeso (alguns acreditam na Síria)

Envolvidos: João, Deus Pai, Jesus Cristo, cristãos, igreja destinatária, filhos da igreja irmã, enganadores (ou anticristo), quem saúda os enganadores

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